Os servidores que participam do Curso de Capacitação em Libras tiveram uma experiência diferente durante a manhã desta terça-feira (25). A aula foi ministrada na Escola Municipal de Ensino Fundamental Bilíngue Vitória ao invés do auditório da Secretaria da Cultura. Na oportunidade, os alunos conheceram a primeira escola de surdos da cidade e foram batizados na Língua Brasileira de Sinais.
A turma é formada por 15 servidores oriundos das secretarias da Cultura e da Cidadania, Câmara de Vereadores, CAC e Cras. O curso iniciou em agosto e vai até dezembro. O objetivo da formação é capacitar os servidores para um atendimento mais acessível e inclusivo.
As aulas são ministradas pela professora Mari Mantelli, que também atua como intérprete de Libras no município há mais de 30 anos. Ela foi professora e a primeira diretora da EMEF Bilíngue Vitória. Lembra com emoção o início da escola e a concretização de um sonho para uma sociedade mais inclusiva e acolhedora. Para a docente, essa comunicação entre o ouvinte e quem atende nos balcões ou atua no serviço público além de necessária, faz toda a diferença no acolhimento da comunidade surda. “Um oi ou um bom dia em Libras faz a diferença para que o surdo se sinta acolhido ao invés de excluído. Nesse nível 1, que é o básico, a gente trabalha saudações e alfabeto e damos o primeiro passo para o país que queremos: inclusivo e com direito à educação para todos”, destaca.
A assessora de governança, Liliane Siqueira, que está fazendo o curso pela segunda vez, descreve a sensação que sentiu quando conversou em Libras pela primeira vez. “Foi um sentimento de dever cumprido porque conseguir entender e se comunicar é também acolher. Eles se sentem muito felizes porque, muitas vezes, foram deixados de lado por não conseguirem ser entendidos’, relembra.
A palavra-chave é inclusão
O secretário adjunto de Inclusão, Vitor Longaray reforça que a capacitação surgiu de uma grande necessidade de qualificar profissionais dentro e fora da prefeitura. “Em um primeiro momento, vamos qualificar os nossos quadros e fazer com que a nossa comunidade surda tenha um atendimento qualificado. Ganha a inclusão e ganha a gestão como um todo. Nosso grande objetivo é alcançar toda a comunidade, dentro e fora da escola, atingir o público lá fora”, salienta.
Para o diretor da EMEF Bilíngue para Surdos Vitória, Rafael Shilling Fuck, quanto mais pessoas souberem a Língua Brasileira de Sinais, mais o surdo se sentirá incluído na sociedade. “A gente percebe a importância de aprender a língua porque é uma forma também de valorizar a cultura surda e promover a inclusão e acessibilidade. É importante que os servidores aprendam a se comunicar em Libras porque o surdo também tem as suas necessidades. É fundamental que o servidor saiba se comunicar em libras para auxiliá-lo”, enfatiza.
A Língua Brasileira de Sinais
A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é reconhecida como meio legal de comunicação e expressão no Brasil desde 24 de abril de 2002, através da Lei nº 10.436. Utilizada por mais de 2 milhões de pessoas, é atualmente o segundo idioma mais falado do país.