Desde a noite de segunda-feira (9), a cidade de Canoas passou a contar com mais um casal de venezuelanos que veio em busca de um recomeço e viu no município uma referência para encaminhar a vida.
A professora de Literatura Liseth Mata, de 40 anos, e o professor de música, Edgar Lopez, de 51 anos, saíram da Venezuela há cerca de 3 anos e meio, já passaram por estados como Roraima, Paraná e, por último, estavam morando em Goiás. Sem perspectivas de melhora nas condições de vida, venderam o pouco que tinham e estão em Canoas procurando um recomeço.
Em menos de 12 horas na cidade, o casal foi até a Central de Atendimento ao Cidadão e levado para a Coordenadoria da Igualdade Racial e Imigrantes. No espaço, conseguiram encaminhamento para uma peça de aluguel com valor social na Mathias Velho e orientação para procurar o Restaurante Popular, que oferece refeições por R$1,00, até que consigam se estabelecer na cidade.
Emocionado, Edgar Lopez lembrou, com lágrimas, as dificuldades que passavam no país de origem. “Nós comíamos a cada três dias. Tínhamos que escolher entre comprar remédios ou comer. Era muito difícil. Vendemos tudo que tínhamos e chegamos na fronteira. Quando atravessamos, trocamos todas as nossas economias pelo dinheiro brasileiro e acabamos ficando com apenas R$ 7,00. Um padre nos deu carona e nos deixou com R$ 50,00. A partir dali nossa vida oficialmente recomeçou, agora no Brasil”.
A escolha por Canoas foi depois de muita pesquisa por parte de Liseth. “Ele estava trabalhando em uma fazenda em Goiás, o contrato acabou. Lá estávamos em um povoado de 4 mil habitantes, não tem oportunidade. Não podemos esperar nos desfazer do pouco que temos. Então a gente sempre pensava no Sul, pelo movimento industrial. A gente pesquisa sempre pelo Youtube, pelo Google, pelos sites das prefeituras. E quando a gente viu Canoas, comecei a mexer nas informações mais recentes. A gente gosta de aprender, além de ensinar. Aí falei para o meu marido que era uma cidade que tinha projetos, que mexe com a cultura, educação e com tudo que a gente sabe e gosta”, enfatizou.
Eles que vieram para Canoas atrás de acolhimento, estão animados com a cidade. “Eu li que falava de atendimento ao imigrante, e falei para o meu esposo que isso era importante para nós. Não somos qualquer um, somos imigrantes. Não temos e nem conhecemos ninguém. Foram mais de 50 horas de viagem de ônibus para chegar aqui. Estou muito feliz. A gente precisava arriscar para procurar uma vida melhor”, lembrou Liseth.
Ao todo, 2640 venezuelanos são atendidos pela Coordenadoria de Igualdade Racial e Imigrantes. De início, é oferecido todo o amparo possível para a inserção na cidade, desde regularização migratória, assessoria jurídica, curso de português, além de, posterior a isso, encaminhamento para o mercado de trabalho.
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