Alunos da escola municipal de ensino fundamental (EMEF) Ildo Meneghetti tiveram uma manhã de conhecimentos e descobertas na prática. Isso porque eles receberam a visita de dois refugiados da Venezuela que estão vivendo em Canoas desde setembro. As dúvidas sobre a vida no país vizinho e os desafios da migração pautaram o bate-papo entre os estudantes e os convidados. As turmas do 8º ano participaram da atividade que fez a integração entre a vida destas pessoas e os conteúdos debatidos nas aulas de Geografia, História e Língua Espanhola.
Os olhares curiosos e a atenção ininterrupta na fala dos refugiados moldavam o cenário na praça da escola Ildo Meneghetti, durante a manhã desta quinta-feira (25). Quando chegaram, os venezuelanos Doris Ochoa e Boris Terranova foram recebidos por abraços carinhosos do corpo docente da instituição. Talvez eles não soubessem, mas nas próximas horas eles trariam para o local uma carga de conhecimento diferenciada. Ao ouvir o relato de suas histórias de vida, os estudantes tiveram a oportunidade de aprender e conhecer, a partir da realidade de vida, conceitos sobre diversas disciplinas.
Doris Ochoa contou ao estudantes que, desde jovem, trabalhava como operadora de caixa num supermercado local, juntou dinheiro e adquiriu bens, mas com as transformações no cenário político e econômico da país, sua vida se transformou. “Trabalhei muito tempo para conquistar uma casa, para dar roupas, materiais e brinquedos aos meus filhos, mas com todos os problemas que tivemos, tudo acabou. É muito triste você ver todas as conquistas, que você batalhou anos para ter, sumirem e a sua vida se reduzir a nada”. Ela também falou das dificuldades que os venezuelanos viveram e vivem para suprir direitos básicos. “Você vai ao supermercado e não encontra os alimentos, não tem arroz, carne, óleo, não tem nada. Antes, nós éramos ricos e não sabíamos”, contou.
Os conhecimentos em História e Geografia vieram dos relatos de Boris Terranova. Ele detalhou as dificuldades sociais vivenciadas não só por ele, mas pelo país inteiro. “Todo o problema que está acontecendo na Venezuela é fruto das escolhas dos cidadãos. Ao não prestar a atenção na história do mundo, nos dramas vivenciados pelos nossos antepassados, acabamos repetindo os erros”, disse. Ele também falou sobre economia. O país vive, segundo ele, com 1.000.000% de inflação e “isso desvaloriza a moeda, o trabalho e toda sociedade acaba sentindo as consequências”.
Durante mais de uma hora, os alunos fizeram perguntas sobre os mais diversos temas e puderam conhecer o lado humano das migrações. Entre uma resposta e outra, e emoção foi tomando conta do ambiente e não faltaram lágrimas para expressar a tristeza e solidariedade.
Venezuelanos em Canoas
O município recebeu 305 venezuelanos no mês de setembro, por meio do programa de interiorização do Governo Federal. Inicialmente, Canoas recebeu R$ 1,02 milhão do Governo Federal para custear as necessidades emergenciais dos imigrantes. O contrato tem duração de seis meses, mas na hipótese deste período não ser suficiente para a integração dos venezuelanos no país, o convênio poderá ser prorrogado. O aluguel dos abrigos é custeado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).
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